Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1% da população do globo é portadora de epilepsia e uma em cada vinte pessoas pode ter um ataque epiléptico uma vez na vida. A desinformação e preconceito à volta desta doença neurológica coloca um estigma nas costas de quem a carrega.
Basta lembrar que, em pleno século XXI, a epilepsia continua, por incrível que pareça, vinculada a magias ou fenómenos sobrenaturais. Em Portugal estima-se que por cada mil habitantes, até sete pessoas podem sofrer de epilepsia. Podendo atingir qualquer pessoa e começar em qualquer idade, inicia-se sobretudo em jovens até aos vinte e cinco anos, sendo que setenta e cinco por cento acontece antes dos dezoito anos.
Por ser uma d
oença que apresenta um quadro cujos sintomas assustam e impressionam negativamente quem assiste as crises, a epilepsia tem sido desde sempre muito encoberta no que diz respeito ao seu esclarecimento, e a ela estão relacionados muitos mitos. Desde a antiguidade considerados como demoníacos, lunáticos, maníacos ou doentes mentais, os epilépticos detiveram sobre si uma carga psicológica e social negativa que afasta os demais. Associado aos ataques epilépticos está um profundo estigma que provoca discriminação social e consequentemente no doente medo, ansiedade e isolamento.
Mas como é que se explica cientificamente a epilepsia?
Tudo começa no cérebro. Para além de ser o órgão que controla todas as acções, desde os movimentos aos pensamentos, é também ao cérebro que cabe a tarefa de regular as funções dos restantes órgãos do corpo humano.
É como se desse um “curto-circuito” no cérebro, em que uma parte ou todas as células se descarregam anormalmente, resultando num ataque epiléptico. São descritas como crises convulsivas motoras, sensoriais, psíquicas, que por norma duram poucos minutos. Esses ataques vão comprometer seriamente toda a actividade regular de um indivíduo.
Podem ser crises parciais, simples ou complexas. As complexas são as mais temidas e também as mais conhecidas, principalmente devido à sua intensidade, uma vez que, nestas circunstâncias, o indivíduo perde por completo a consciência. Involuntariamente contrai a musculatura corporal ficando completamente hirto, podendo daí resultar movimentos desordenados e consequente quedas violentas.
Nestes casos a descarga envolve todo o cérebro, o paciente fica “ausente”, quando acorda não se lembra de nada do que aconteceu. Nesse período de tempo existe salivação em abundância, eliminação de fezes ou urina.
As crises podem ser despertadas por situações como: choques eléctricos; deficiência de oxigénio; avc’s; baixo nível de açúcar no sangue; álcool ou drogas; mudanças súbitas da intensidade da luz ou luzes a piscar; privação de sono; cansaço e ansiedade.
Actividades como nadar fora de pé, conduzir, tomar banho de imersão, usar escadas, cozinhar entre outras que a maioria das pessoas consideram normais no seu dia-a-dia, podem representar uma ameaça para os epilépticos.
Alguns doentes conseguem prever a crise. Se, por exemplo, treme a mão e depois o braço, a pessoa sabe que daí a pouco pode tremer o corpo todo. Nessa altura o dente protege-se. Mas, se é generalizado de início, a pessoa tem uma perda brusca do conhecimento. Terá, portanto, de aprender a proteger-se para minimizar as consequências da crise.
Se se deparar com alguém a ter um ataque de epilepsia, sabe o que fazer É fundamental ter algumas noções básicas como: proteger a cabeça da vítima com uma almofada e desapertar-lhe a roupa; não se deve colocar objectos na boca da pessoa, pois ao contrário do que se pensa ela não irá engolir a própria língua; e deve deixar a vít
ima debater-se livremente colocando-a deitada em posição lateral para que não se engasgue com a saliva.
A estatística para o número de pessoas com epilepsia é alta, calcula-se que em cada 100 pessoas, uma tem a doença. Através da história, anónimos e famosos tiveram epilepsia. É também grande a lista de figuras ilustres da história, com génios como o pintor holandês Van Gogh; Alexandre “o Grande”; o imperador Julio César; o escritor Charles Dickens; o profeta Maomé; e até o o filósofo Sócrates.
Perseguido pela epilepsia quase tanto como pelos problemas que o deixavam horas a pensar, o malogrado Ian Curtis, vocalista dos Joy Division, ficou associado, em palco, a uma dança estranha, obstinada, de movimentos bruscos dos braços e das pernas, em espectáculos de luzes quase apagadas devido à sua doença. Sobre a epilepsia, o cantor admitia ficar horas sentado na cama, à espera dos ataques, para depois poder dormir. Deduz-se que talvez Curtis sofresse também de uma certa epilepsia psicológica, que lhe ditava as frases em espasmos, tendo como resultado poemas duros, tristes, inesquecíveis.
Ao lado dos problemas enfrentados pelos portadores da epilepsia, existem casos de pessoas que superaram as dificuldades quotidianas e se dedicaram à produção de obra
s geniais, desenvolvendo habilidades fora do comum. Os maiores exemplos acontecem nas áreas das artes e de actividades ligadas à criatividade, como a literatura.
Um dos primeiros tratamentos cirúrgicos para a epilepsia consistia em abrir um buraco no crânio, para os “maus espíritos poderem sair”. Actualmente já existem vários tratamentos, consoante o diagnóstico que for feito, incluindo medicação e cirurgias, sendo que 80 por cento das crises controlam-se com a medicação.

Esta é realmente uma doença complexa…Estes doentes sofrem bastante quando revelam que sofrem de epilepsia porque a maior parte das pessoas fica logo com medo que a qualquer aquela pessoa tenha um ataque à sua frente.
O medo instala-se e torna muito difícil que tenham uma vida considerada “normal”. O meu irmão sofre desta doença e sempre foi um rapaz muito isolado e com dificuldade nos relacionamentos pessoais, principalmente depois da sua ex-namorada o ter abandonado, quando assistiu a um dos seus ataques…
As pessoas têm que perceber de uma vez por todas que os portadores de epilepsia não são diferentes do resto das pessoas e que não fazem mal a ninguém, os únicos prejudicados são eles próprios, quando as pessoas se afastam por ignorância.
A epilepsia não se pega!!!!!!! E tal como a jornalista disse na peça, uma em cada vinte pessoas pode ter um ataque epiléptico na vida. Ninguém está imune deste estigma…
Temos que olhar para estas pessoas como pessoas normais com muitas capacidades,única e simplesmente são portadoras de uma doença como qualquer ser mortal. Felizmente com o evoluir da medicina esta doença ,como outras do fôro psicológico deixou de ser um estigma,todas estas pessoas merecem o máximo respeito,são de uma inteligência fora do normal.ACHO este debate uma descriminação para com estas pessoas,voçês é que estão a pôr um estigma ao escolherem esta doença para debate.