Escolher o Futuro – Cursos com mais Saída Profissional

30 de Junho de 2010Publicado por Debate Público

Oito dos 15 cursos mais procurados pelos estudantes universitários são os que têm as mais altas taxas de desemprego. Quem o diz é o Centro de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Não há lugar para todos. Os candidatos a gestores, engenheiros, psicólogos, arquitectos ou advogados são tantos em Portugal que uma boa parte dos recém-licenciados corre o risco de não encontrar um emprego quando terminar o curso. São as leis do mercado de trabalho a funcionar – quanto mais abundante é a oferta, maiores são as hipóteses de ficar excluído. Os cursos com mais alunos inscritos são os que apresentam as maiores taxas de desemprego.

Esta conclusão só é válid
a para os últimos três anos, uma vez que não existem estatísticas globais sobre o número de desempregados para cada licenciatura. Segundo os dados do Ministério do Ensino Superior e do (IEFP) oito entre os 15 cursos mais frequentados são igualmente os que revelam os índices mais elevados de desemprego.

Gestão está no topo das duas listas – há quase 30 mil candidatos a gestores de empresas inscritos no ano lectivo de 2008/09. É o curso com mais alunos e é também aquele que tem mais desempregados com licenciatura, bacharelato ou mestrado concluído entre 2005 e 2008 (526 inscritos). Não surpreende, portanto, que as ciências empresariais sejam a área profissional com a mais alta taxa de desemprego (19,9%), segundo os dados de Junho de 2009.

A relação entre os cursos mais procurados e as profissões com maior índice de desemprego é quase imediata. Direito, por exemplo, surge em terceiro lugar no ranking dos cursos com mais estudantes inscritos. São 16 mil os alunos a frequentar a quinta licenciatura com os números mais altos de desemprego (370 inscritos nos centros de emprego). A Enfermagem está logo abaixo, com mais de 15 mil estudantes e em 11.o lugar na lista dos licenciados à procura de emprego. Mas se quiser seguir Contabilidade e Fiscalidade, com cerca de 11 mil alunos inscritos, saiba que está entre as nove licenciaturas com os valores mais elevados de desemprego (260 inscritos no IEFP).

As Ciências Sociais continuam entre as áreas com maior oferta – Psicologia tem cerca de 11 mil estudantes e é o sexto curso com a taxa de desemprego mais alta (368 licenciados inscritos no IEFP); Sociologia, com 8503 estudantes, não aparece entre as 15 licenciaturas com maiores taxas de desemprego, mas surge em 27.o lugar, com 77 desempregados. Ciências Sociais e do Comportamento são contudo a área profissional com a segunda taxa de desemprego mais elevada (12,8%), logo a seguir às Ciências Empresariais.

A formação técnica e científica também já não é uma aposta segura. Três dos 15 cursos mais frequentados fazem parte do ramo das engenharias. Talvez por estar entre as profissões mais procuradas pelos estudantes, esta seja a área profissional que apresenta a terceira maior taxa de desemprego (9,2%), de acordo com os dados do IEFP.

A Engenharia Civil, que se encontra entre as cinco licenciaturas ou mestrados com maior número de candidatos inscritos, surge em quarto lugar na lista das profissões com os índices mais elevados de desemprego dos últimos três anos (377 desempregados).

É no ramo do Ambiente e da Química que o desemprego é mais significativo – embora estas duas áreas da engenharia não estejam incluídas no grupo dos 15 cursos mais procurados, estão ambas no top das licenciaturas com maior índice de desemprego: 146 e 142 licenciados sem emprego, respectivamente. Arquitectura e Construção – com uma taxa de desemprego de 9,8% – e Economia estão também nos rankings dos cursos com mais estudantes e maior taxa de desempregados. Entre os que terminaram a licenciatura ou o mestrado nos últimos três anos há 350 economistas e 277 arquitectos à procura de emprego.

Existem outros cursos que, embora não constem da lista dos mais procurados, revelam baixos valores de empregabilidade. É o caso das profissões ligadas à Comunicação Social, que apresentam o segundo índice mais alto de desemprego (412 inscritos) e surgem em 10.o lugar no ranking das áreas profissionais com menor empregabilidade (3,8%).

Os Serviços Sociais, por outro lado, geraram 401 desempregados e é o terceiro curso com maior número de licenciados à procura de emprego e a 9.a área profissional em taxa de desemprego (4,9%). Medicina é das poucas excepções à regra, ocupando o 9.o lugar na lista dos cursos mais populares. Continua por isso a ser uma área profissional sem risco de desemprego.

As despesas com um curso superior podem atingir dezenas de milhares de euros. E o retorno do investimento nem sempre é o melhor. Será que vale a pena gastar milhares num diploma muito caro?

Oito dos 10 cursos mais caros do ensino superior fazem parte da lista do 20 mais procurados pelos estudantes. Na hora da escolha da licenciatura, nem sempre se tem uma ideia das despesas envolvidas e não se pensa muito se algum dia esse investimento trará resultados económicos significativos, mesmo que se tenha em conta que o verdadeiro valor de um cursos superior não se mede em euros mas sim em conhecimento.

Segundo um artigo da revista Sábado, no topo da lista desses cursos, vem Medicina Dentária como sendo o mais caro de todos. Implica em média um investimento de 14.400€ numa faculdade pública. O ordenado médio de um dentista em início de carreira ronda os 2 mil euros.

Se formos para o curso de Arquitectura, saiba que um aluno gasta entre mil e 1.400€ por ano, já com o material técnico e fotocópias incluídas. Sem contar o facto de a partir do 3ºano, os alunos terem que investir obrigatoriamente, num computador com características especificas que ronda os 1.800€ e os 2.400€.

O valor médio de total de um curso de Direito ou de Farmácia (também no sector público), ronda os 9 mil euros e o retorno num inicio de carreira aponta para os 1800€ brutos. Já as despesas do curso de Bioquímica rondam os 10.200€, tendo a vantagem de ter muitas saídas profissionais, pois tanto se pode trabalhar num laboratório de análises como na indústria farmacêutica.

Mas em alturas de crise há que adaptar as escolhas. O mais inteligente é saber apostar numa área em que o mercado esteja mais carenciado. Segundo o Hiring Survey da MRI Portugal (uma empresa de recrutamento de executivos de topo) o sector das Tecnologias de Informação é um dos que mais esperam contratar em 2010: 43% das empresas ligadas a esta área pretendem aumentar o número de trabalhadores. Em geral, os cursos de carácter tecnológico têm uma forte absorção pelo mercado de trabalho português.

É preciso ter os pés bem assentes na terra, independentemente da vocação, é comum que nesta época se olhe para as áreas que revelaram algum dinamismo como sendo um oásis na recessão. A solução pode passar por empregar-se numa função indispensável para a empresa e evitar todas as outras. Como por exemplo, a comunicação, o marketing, as estruturas de apoio administrativo e financeiro.

Diploma na mão não é portanto garantia de emprego certo. Saber escolher a profissão é o melhor trunfo para escapar ao desemprego. Para boa parte dos estudantes universitários, essa opção representa o dilema entre vocação e estabilidade financeira. A sorte grande é só para os que conseguem juntar os dois lados e aumentar as probabilidades de ter um futuro promissor.

 

Publicidade

Participe

Dê a sua opinião ...

Telef: 707 301 221

Votação

  • Neste momento não existem votações.

3 Comentários

  1. Carlos Santos diz:1 de Julho de 2010 ás 0:40

    Curso? Que importa isso aqui em Portugal?
    Lá no Brasil eu era Médico Pediatra, cheguei aqui em Portugal e simplesmente me disseram que meu curso não tem nenhuma equivalência aqui…
    Hoje trabalho como varredor de rua na perfeitura de Lisboa e mesmo assim ganho mais do que ganhava no Brasil exercendo a profissão de Médico…

    Grato

    Carlos

  2. Carlos Santos diz:1 de Julho de 2010 ás 0:39

    Curso? Que importa isso aqui em Portugal?
    Lá no Brasil eu era Médico Pediatra, cheguei aqui em Portugal e simplesmente me disseram que meu cirso não tem nenhuma equivalência aqui…
    Hoje trabalho como varredur de rua na perfeitura de Lisboa e mesmo assim ganho mais do que ganhava no Brasil exercendo a profissão de Médico…

    Grato

    Carlos

  3. maria jose alves diz:30 de Junho de 2010 ás 23:32

    Temas assim é do interesse de todos serem debatidos,para que todos em geral estejam bem informados para se poderem orientar melhor, deixar de estudar nunca.Vou deixar aqui meu testemunho para a reflexão de quem estiver interessado.Tenho uma filha com 25 anos,é gerente numa multinacional canadiana, tem apenas o décimo primeiro ano,fála corretamente o Inglês, abaixo do cargo da minha filha tem a subegerente com curso Universitário, injusto? também acho mas os critérios em muitas profissões não são em ter cursos mas sim prática de trabalho profissionalismo e sobretudo ser um trabalhador empenhado e com muita responsabilidade.Atualmente o mercado de trabalho está cada vêz mais exigênte e competitivo.BONS ESTUDOS ,bons TRABALHOS para todos,e sobretudo muita sorte

Os comentários a este post encontram-se encerrados